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Quarentena - Parte 1

Como tudo começou na Argentina?



Como todos nós sabemos, a Argentina se tornou o país, na América, referência em prevenção/combate ao novo Coronavírus (Covid-19). Vivendo em Buenos Aires, eu posso falar que me sinto, hoje, privilegiada pela escolha que fiz, decidindo vir morar nesse país. Me sinto, realmente, protegida pelas ações do Estado e com a posição que os líderes tomaram frente a essa pandemia tão louca e inesperada.


Esse é o primeiro de uma série de posts explicando como está sendo minha experiência cotidiana e como podemos entender esse país que tem essa diversidade tão grande e essa força de organização tão rápida e surpreendente.


Para iniciar esses relatos, voltaremos ao carnaval (ebaaaaa!), data mega festiva, em que decidi não ir para meu Estado natal: a Bahia. Esse ano, decidi que ficaria na Argentina e curtiria o que o país tem a me oferecer. Mudei um pouco de rota, mas me diverti bastante por aqui.





Em um post, um dia, conto a vocês como foi linda essa experiência, mas o mais importante aqui é que havia aglomeração, que todos estavam juntos em uma festa tradicional, aqui na Argentina e no Uruguai, onde terminei, inesperadamente, meu carnaval (kkkkkkkkkkkkk)!





Ao voltar para Buenos Aires, já havia rumores de o Covid-19 (novo coronavirus) estava chegando à Argentina: um senhor, que havia chegado da Itália, morava na Recoleta (bairro de classe alta portenha) estava com a doença. Nesse momento, todos nos surpreendemos, eu menos (comparando a minhas amigas, posso dizer assim), não dava importância a isso, achava que era mais bobo, não sei. Como nenhuma epidemia grave havia chegado tão perto de mim, não dei o devido valor. Mas.... Esse senhor MORREU (meu Deus! Socorro!) morreu devido a insuficiência respiratória grave, causada pelo novo Coronavírus.


Aííííí, nesse momento, acendeu, em mim, um alerta. Com uma luz de alerta ainda meio fraquinha, querendo não acreditar no que acontecia em todo o mundo, meio alheia a isso. Acho que entrei num estado meio de negação. Porque, sério, isso é UMA LOUCURAAAAAAAA!


Segui trabalhando, fazendo minhas coisas, sem prevenção, sem me cuidar, sem nenhuma atenção especial a nada.


Uma semana depois, MORREM 2 pessoas mais em ocorrência de ter o novo Coronavírus (Covid-19), de terem chegado de países americanos e me chama a atenção (não gente, paraaaa que eu tava ficando quase louca mesmo!!!). Me assustei um pouquinho. Aliás, me assustei muito mesmo! Porque euzinha tinha andando mais que pneu de caminhão havia duas semanas. Nesse momento, o desespero, já dentro de mim, me faz ter reações “Preventivas” (coloco em aspas porque já tava tudo avacalhado. Eu já não estava fazendo correto há dias, mas como nunca é tarde....).





Comprei litros de água sanitária e limpava tudo por onde passava (corrimão, maçaneta). Já estava tudo podre a cloro, mas era necessário porque não entendia como seria o futuro, esse futuro aqui, bem próximo!


Eis que chega 19 de março!!!! Estou no açougue, me preparando para o churrasco do fim de semana que viria, quando, na televisão disseram: QUARENTENA OBRIGATÓRIA (ISOLAMENTO SOCIAL). Que seria isso? Como é isso de não sair de casa, senhor!? Meu cachorro, sem passear, produção? Comida? Papel higiênico? O churrasco? A cerveja? A vidaaaaa?


Sem essas respostas, fiquei em casa. Fechei o escritório e esperei as novas respostas para todas as perguntas. Ainda não tínhamos nenhuma informação, mas estavam sendo preparadas. Em todos os jornais se falava disso e ainda de que o presidente iria falar em rede nacional, iria nos explicar como fazer ou não fazer!


Nessa espera, ansiosa, iniciamos nossa quarentena!!! Total! Obrigatória! Restritíssima! Esse encontro com nós mesmos, essa loucura interna cotidiana que teríamos que nos defrontar. Eu, uma pessoa mega ativa, com o cérebro que funciona em 250 milhões de km/segundo, teria que parar, dar um tempo. E comecei essa jornada!




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